Lançamento em agosto

Primeira pessoa - Fátima Pena

Eis-nos diante de um livro-pentimento, que nos permite ver, e ver de novo mais tarde, um rosto que se desenha. E um rosto que se desenha em pentimento é sempre um rosto devastado. “Esta sou eu” – ela revela – “alguém que faz caminhada dentro de casa”.
Este livro é um espelho d’água. Aí podemos ver um rosto antes do aparecimento do espelho. Um rosto nu. Quando vamos a seu encontro, é a íntima interioridade que encontramos. E seu claro enigma. “Nada existe que seja universal, só o singular existe. Afirmar isso é ver em tudo a sua opacidade, o seu enigma, aquilo que o constitui como exemplo, mas não exemplo de outra coisa ou exemplo a seguir.”
Por isso, após a leitura deste livro pentimento-pavimento- movimento, só nos resta o exemplo que não podemos seguir. E podemos, então, afirmar, com Maurice Blanchot e Fátima Pena: “Se começas, estás perdido; se paras, estás perdido”.
Diante dessa sentença, resta-nos, por fim, não parar. E manter o começo prosseguindo. Fátima nos aponta o caminho: “Tudo vive quieto pela casa, representantes silenciosos do tempo”. É este o trabalho silencioso das incontáveis horas. Afinal, como já assinalou Picasso, aqui mesmo, na superfície do rosto de Fátima, “o artista leva muito tempo para tornar-se jovem”.
Lucia Castello Branco

Veja mais aqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s