Cas’a’screver vai ao encontro da Casa Tombada

Na semana passada, nos dias 20 e 22 de agosto, a Cas’a’screver foi ao encontro da Casa Tombada, em São Paulo, levando alguns dos trabalhos que ali se realizam: a pesquisa “Palavra em ponto de dicionário: a prática da letra em trabalho de tradução” (CAPES-PNPD) e o lançamento do livro Maria Lua da minha escuridão. O encontro celebra, ainda, a anunciação de uma nova casa por vir: a CABRA – CAsas Brasileiras de Refúgio, que pretende abrigar, no Brasil, escritores refugiados, através do convênio entre o ICORN e a UFMG.

Compartilhamos algumas fotos do intenso evento.

Lançamento em agosto

Primeira pessoa - Fátima Pena

Eis-nos diante de um livro-pentimento, que nos permite ver, e ver de novo mais tarde, um rosto que se desenha. E um rosto que se desenha em pentimento é sempre um rosto devastado. “Esta sou eu” – ela revela – “alguém que faz caminhada dentro de casa”.
Este livro é um espelho d’água. Aí podemos ver um rosto antes do aparecimento do espelho. Um rosto nu. Quando vamos a seu encontro, é a íntima interioridade que encontramos. E seu claro enigma. “Nada existe que seja universal, só o singular existe. Afirmar isso é ver em tudo a sua opacidade, o seu enigma, aquilo que o constitui como exemplo, mas não exemplo de outra coisa ou exemplo a seguir.”
Por isso, após a leitura deste livro pentimento-pavimento- movimento, só nos resta o exemplo que não podemos seguir. E podemos, então, afirmar, com Maurice Blanchot e Fátima Pena: “Se começas, estás perdido; se paras, estás perdido”.
Diante dessa sentença, resta-nos, por fim, não parar. E manter o começo prosseguindo. Fátima nos aponta o caminho: “Tudo vive quieto pela casa, representantes silenciosos do tempo”. É este o trabalho silencioso das incontáveis horas. Afinal, como já assinalou Picasso, aqui mesmo, na superfície do rosto de Fátima, “o artista leva muito tempo para tornar-se jovem”.
Lucia Castello Branco

Veja mais aqui.

Veja e ouça o convite e o audiobook de Maria Lua, por Lucia Castello Branco

Um livro quase-mistério, quase-memória, quase história infanto-juvenil, quase poesia, quase-biografianão-autorizada.”

Maria Lua da minha escuridão
Duas meninas e uma barca, também menina, para atravessar os mares escuros, os amores menores, as pequenas frestas de luz do dia. Duas meninas a contemplar o tempo parado, na distração das histórias contadas em noite de lua cheia, quando a barca se deixa invadir pela luz e se põe a mover em direção às imagens pobres de exuberância e repletas de sonhos. Duas meninas e uma barca para guardar o que resta de um encontro e seu silêncio coberto de águas.

>>> escute o audiobook completo

Gravação dirigida por Claudio Zazá, dentro do programa “Migalhas Literárias”, da Rádio UFMG Educativa, coordenado por Vania Baeta. A trilha sonora original é de Luiz Rocha.

>>> onde comprar
o ebook já está disponível na Amazon: clique aqui. 
e em breve também poderá ser encontrado nas livrarias Saraiva, Cultura, Kobo e Wook

BLOG: o fio de água do texto

 


 

 

O fio de água do texto foi concebido como um espaço para, por, com, sobre, ao lado de Maria Gabriela Llansol, escritora nascida em 1931, em Portugal, no decurso da leitura silenciosa de um poema.

Desfiemos:

O fio para _______ deseja homenagear esse corp´a´screver, que chegou a Belo Horizonte, em 1992, com Lucia Castello Branco, e aqui passou a acompanhar seus alunos da UFMG, professores, psicanalistas, artistas, compositores, poetas e vagabundos.

O fio por _______ deseja abraçar sua causa amante, acreditando, junto a Llansol, tal como ela escreveu em carta a Eduardo Prado Coelho, que os escritores do seu ramo, já conhecidos ou ainda no começo, aqui e no Brasil, vão ter de pensar no modo como criar um espaço de vida, que não seja marginal a nada, mas um lugar real de escrita e de leitura.

O fio com _______ deseja o encontro inesperado do diverso, deixando ecoar as ressonâncias do texto llansoliano, no Brasil.

O fio sobre _______ deseja criar um espaço para textualidades outras, que se escrevem em sobreimpressão, compondo com rigor uma nova geografia.

O fio ao lado de _______ deseja acompanhar a paisagem llansoliana, vislumbrada por aquela que, em 4 de julho de 1998, nos declarou: começais a vir, dando-me companhia que eu por nada trocaria. É o cume do jardim que o pensamento permite,

 

Acesse o blog aqui: http://fiodeaguadotexto.wordpress.com