sobre a casa

Esta Casa nasce de um sonho. Esse sonho, Maria Gabriela Llansol assim o nomeou: o sonho de que temos a linguagem. E o que lemos aí, para além do desejo ilusório de possuirmos a linguagem, é tão somente a matéria do sonho, o que dele nos resta: sua linguagem.
A linguagem do sonho, sua matéria: uma escrita. Quem a escreve? Onde a escreve? Como a escreve? A Cas’a’screver, deslocando essas questões em direção ao infinito que o infinitivo demarca – escrever – e ao sujeito impessoal e singular que a Casa acolhe, destaca, em seu próprio nome, esta letra mínima: a.
A Cas’a’screver reúne, no devir de seu nome, aqueles que estão a vir: “Começais a vir, fazendo-me companhia, que eu por nada trocaria”, parece dizer a Casa, no gesto de acolher aqueles que nela encontram abrigo.
A Cas’a’screver, que desenha o devir de seu nome inspirada no gesto − um corp’a’screver − de Maria Gabriela Llansol , reúne, em sua profusão amarga de sinais, a psicanálise e a escrita − litoral exíguo de uma outra territorialidade.
Lituraterra − assim Lacan nomeou a radicalidade do encontro entre a areia e o mar, entre a psicanálise e a literatura. Mas um grão de areia, sabemos, pode ser uma letra. Com uma letra só, aquela que tem o seu bojo no a, a Cas’a’screver nasce do sonho de trabalhar, pouco a pouco, a dura matéria da língua.

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